Pois é. Como sabem, durante este mês, a Idiot Mag passeou-se por Barcelona. Eram 21h quando aterrámos no Aeroporto de El Prat e quando chegamos ao centro, em La Rambla, começou a nossa busca intensiva em busca de sítio para dormir, Carrer de Aragó, o bairro do Eixample, simpático, acessível, acolhedor.

Foi aqui que se deu a nossa primeira construção de personagem engraçada: Carlitos, da Venezuela, o recepcionista que, com os seus 26 anos era músico a tentar vencer no meio. Malas arrumadas e camas feitas, fomos por las calles. Vemos que beber na rua pode dar multa até 300€! Então como fica a situação do nosso botellon?, pensámos nós. Juntando os indivíduos a que muitos portugueses chamariam de “monhés”. Especialmente em La Rambla, de 5 em 5 metros (se tanto), é-se abordado, onde nos perguntam: “Cerveza, cerveza, beer? Haxixe? ”. Ora bem, o cuidado a ter era mesmo não lhes comprar cerveja, pois, pelos vistos, era guardada dentro dos esgotos, para se manter fria e sabe-se lá mais para quê. Dia seguinte e por ser contradição, satisfeitos de sushi e água fresca, começámos o turismo propriamente dito.

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Parque Guell

Sagrada Família, o Arco do Triunfo, que achávamos que tinha mão napoleónica, mas afinal foi construído para a Exposição Internacional de Barcelona.
Dia seguinte, La Pedrera, emblemática e curiosa de Gaudí, mas cá para nós, a loja adjacente foi de perder uma tarde mergulhados nos livros de design, moda e arquitectura fantásticos, entre os típicos merchandisings.
Fim da tarde com amigos na Plaça del Sol entre cañas e pessoas que descansavam após mais um dia na bonita Barcelona. Mais tarde, decidimos ignorar as placas que mostravam a opinião da polícia sobre o botellon e saímos bem acompanhados naquela noite pelo meio da multidão.

Acordando um pouco mais tarde e com o Parc Güell em vista, finalmente (ou não) uma zona que não era plana. Ao entrarmos no parque, vimos uma enchente de turistas. Foi engraçado saber que Gaudí utilizou loiça da sua casa para a construção do parque e as piadas que daí surgiram. E em apenas 3 minutos que lá estivemos, o tão famoso El Drac foi fotografado 172 vezes, o que achámos super peculiar.
Dia seguinte, lá fomos outra vez para o centro. Mercat Boqueria para beber um suminho matinal e seguir para o Bairro Gótico e simplesmente divagar. Que pode haver melhor que ser parte desta rotina…?

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La Pedrera
À noite, já cansados pela enorme caminhada e por uma noite de pouco sono, não nos deixámos vencer. Decidimos experimentar um dos locais do bairro Eixample, conhecido por ser o bairro gay de Barcelona, com vários espaços desde lojas, saunas e clubes, bares e discotecas ou mesmo dark rooms, tudo com o cunho homossexual de uma cidade livre de preconceitos, que consegue ter a sensatez de abrigar vários povos e culturas e de conseguirem coexistir numa sociedade pacífica, mas muy loca. Escolhida a discoteca, Club Arena, na sala Madre, um ambiente mais dedicado a um público mais jovem. Actuação de travestis muito interactiva e uma noite diferente e bem passada.
Já tanto sítio visitado, até porque desistimos de andar de metro logo no segundo dia, decidimos rumar ao Parque de Montjuic. Parque enorme, deu muito que passear, e é de mencionar a deslumbrante vista que se alcança da cidade.

Mais uma noite, onde ir agora? Decidimos então ir até ao conhecido Apolo. Duas salas enormes, uma com palco. Ao início achávamos que era uma sala só, muitas pessoas, muita animação.
A meio da noite descobrimos que existia outra sala, da mesma dimensão e com tantas pessoas como a nossa. Barcelona, Barcelona…

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Sagrada Familia

Era domingo, e como acontece em Portugal, é dia de visitar os museus de graça! Fomos ate ao MACBA, museu de arte contemporânea de Barcelona. Continuámos por aquelas zonas, e ao visitar uma livraria onde encontramos várias autopublicações e livros de arte e design, encontrámos a revista Pli (!), mencionada na #00 da Idiot Mag a propósito da entrevista de José Bártolo. Sorte a nossa, que ainda percebemos que no fim da livraria era a entrada para o Museu d’Història de la Ciutat. Já tanto caminho percorrido! Dedicámos os dias que nos restavam a conhecer todas as ruas e vielas da cidade, o metro já não era opção. Fomos pelas ruas até encontrarmos um bar muito simpático de tapas, o Can Eusebio (can, do catalão casa) no qual bebemos água fresca, a primeira que nos soube realmente à água parecida com a de cá e porque no dia anterior tínhamos ido visitar o nosso amigo Carlos ao bar onde trabalhava e estávamos cansadíssimos…

421443_385000844847176_7867230_n João responde a um desafio de um leitor, na Las Ramblas
Quando voltámos, sentimos que a inspiração era mais que muita para continuar esta viagem por cá e continuá-la para a edição #01 da Idiot Mag!

Redatores: João Cabral, Mariana Ribeiro, Nuno Dias