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SENDO ESTE MÊS, O MÊS DE ANIVERSÁRIO DA IDIOT, DECIDIMOS ENTREVISTAR PARA A SECÇÃO “ELE”, O NOSSO REDATOR MAIS CONECTADO À 1ª ARTE: NUNO DI ROSSO, UM APAIXONADO POR MÚSICA QUE DESDE MIÚDO QUERIA FAZER RÁDIO.

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Fotografia Inez Cortez

Idiot: Conta-nos quem és, e como começaste a tua carreira?
Nuno: Sou o Nuno, um apaixonado por música que desde miúdo queria fazer rádio. Apanhei com a explosão da música electrónica no nosso país em cheio na cara, Isto foi em 93 ou 94. Já antes animava com outros amigos as nossas míticas festas para doze ou treze marmanjos de buço por fazer, recorrendo a mesas de mistura para instrumentos, muitos adaptadores e leitores de cd’s caseiros, que rodavam as colecções de toda a gente. Mas quando ouvi pela primeira vez um dj a trabalhar à séria, pensei que aquela era uma coisa que gostaria de fazer. Fui continuando a fazê-lo com amigos e para amigos, mas com uma intenção diferente e com outros meios. Mesas melhores e pratos, primeiro um pioneer com tracção por correia e um pitch que ía do -3% ao +4%, pois estava um pouco desregulado. Depois vieram os technics 1210, o aperfeiçoar, a zanga com o techno, depois com o house, as experiências com música mais abstracta, o perder a vergonha e começar a tocar em pequenos bares, o fugir à zona de conforto e ser atirado aos leões nos after-hours da Dub em Lisboa. Depois chegam as residências no Garage, na Indústria, e o tocar um pouco por todo o país. Depois vim viver para o norte, estive por cima, estive por baixo, quase desisti, mas achei que não teria muito sucesso como gigolo e voltei a investir tudo no djing. Comprei uma capa numa revista da especialidade e apareci de manga caviada numa série de gigs.

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Nuno e João (nas pontas) com os Idiot djs: Nuno Carneiro, Da Ni e Nuno Di Rosso
Idiot: Que equipamento costumas usar nas tuas actuações?
Nuno: Uso o traktor, computador e o que me disponibilizarem por essas cabines fora. Prefiro uns leitores de cds simples, os 2000 da pioneer são razoáveis, mas toco muitas vezes com pratos e gostava que houvessem condições para rodar mais vezes algumas das preciosidades que tenho encostadas lá em casa. É que com a chegada do digital a maior parte das cabines deixaram de ter todas as condições para tocar vinil. Gosto de adicionar alguns efeitos e loops subtis, por isso às vezes uso um controlador para facilitar as coisas, se bem que tenho muita prática com o pad do computador. Já me chamaram mestre do rato, mas não gostei da alcunha e mandei espancar o engraçadinho. Produção, tencionas começar…? Já fiz algumas coisas e até editei dois temas que fiz com um bom amigo meu, o Félix Da Cat, que está hoje radicado em Berlim. Estou a re-organizar-me para começar a fazê-lo sozinho, agora que tenho mais tempo para isso e que voltei a ter aquela vontade para o fazer.

Idiot: Na tua opinião, qual é o estado da dance scene portuguesa, e o que farias para a melhorar?
Nuno: Penso que a dance scene portuguesa está hoje de melhor saúde do que há uns anos. A poeira assentou, a coisa compartimentou-se, os clubes especializaram-se e criaram-se as bases para termos verdadeiros circuitos, com clubes e bares virados para música mais ou menos minoritária espalhados por todo o país. Isto, graças à carolice de muita gente, que embora não ganhe fortunas a fazer isto, vai arriscando o pescoço pelo amor à causa. É claro que já não temos aquelas mordomias que fizeram desta uma profissão desejada por tantos. Os cachets principescos, os hotéis de luxo e as viagens aéreas dentro do país acabaram para quase toda a gente, porque hoje há quase uma fé inabalável, uma verdade quase absoluta, que o zé da esquina consegue fazer o mesmo que tu só com o i.phone e um cabo mini jack – rca.

Idiot: Quais os teus planos para 2013, “o ano da criatividade”?
Nuno: Para este ano espero conseguir levar o projecto Traçadinho a bom porto, passar horas sem fim a tentar fazer uma música de jeito, continuar a fazer o meu programa na RUM e levar a minha música ao maior numero de pessoas possível, sem perder a minha identidade no processo.

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Fotografia Lígia Claro

Idiot: Onde podemos encontrar-te?
Nuno: Podem encontrar-me todas as sextas feiras às 22 na RUM, onde continuo em antena com Connected. Faz em março três anos que começou esta aventura, e cada vez gosto mais de o fazer. Na rede estou no Facebook, no Mixcloud, na página da RUM, onde tenho o arquivo completo de todas as emissões, com o alinhamento de praticamente todas, no Soundcloud, apesar de não estar particularmente activo nessa plataforma, e claro, pelas cabines de Portugal, com particular enfoque em Lisboa e Porto.

Redator: Bernardo Alves