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Para quem vive numa cidade, como a maior parte da população do nosso país, sabe o que é “ter pressa”, “viver em stress”, ou “morrer de cansaço”. É sabido – é mais que sabido – que hoje não há tempo para tudo o que se vive, ou para tudo o aquilo que se quer viver. Basta ver, a um dia de semana, as apitadelas no trânsito (com os insultos em tons mais ou menos baixos), a correria das pessoas, as que estão atrasadas para o emprego e, até, o passo largo que se dá nas ruas. Basta ver também as “directas” dos estudantes, ou as horas tardias daqueles que se deitam a pensar no relatório que tem de entregar de manhã. O resultado é sempre o mesmo, o chamado “em cima do joelho”, que é, mais coisa, menos coisa, aquilo que devia ter sido feito assim, mas foi feito “assado”. Como resolver um problema que nem sequer é, por vezes, constatado como um problema? Há situações e situações. Mas quem são os que vivem naturalmente com calma? Crianças da primária e reformados? Ou também será que os reformados não conseguem sequer atingir esta calma, se as suas vidas foram vividas com pressa e hoje não sabem viver sem ela e temem o futuro? Desafio os nossos leitores a ter, pelo menos, um momento de calma, no seu dia. O dia que é deles e que deles será a vida toda. E talvez com esta calma poderão saber que pequenos actos só serão desfrutados em pleno se forem dotados de calma. E a calma pode ser um dos melhores actos desfrutáveis, só por si só.

Texto: Mariana Ribeiro