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Eram 22h30 de sábado e já cheirava a Queima das Fitas na nossa bela Invicta. Na Baixa do Porto eram milhares as pessoas que por lá circundavam aos grupos, mais ou menos grandes, mas todos com uma só vontade.

Vestidas as capas e batinas, as camisolas dos cursos ou faculdades ou simplesmente uma roupa que os pudesse acompanhar, do normal ao mais bonitinho, consoante o que quer que fosse que acontecesse mais logo (ou o que eles queriam que acontecesse!). Uma cidade aos berros, com muitas cervejas deambulantes nas mãos dos habitantes da cidade e um espírito comum. Faltava pouco para as noites quentes da Queima, onde todos se divertem em prol de vários objectivos cumpridos na vida. O espírito boémio entrava, então, em acção e era necessário que a Idiot Mag fosse também para a festa. Ai festa, que eu gosto tanto de ti…!

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E assim foi: logo na primeira noite perdemos o concerto, mas garantimos que nos divertimos de qualquer maneira. Depois disto, foi sempre a curtir pelas barracas de tudo e mais alguma coisa. É engraçado até reparar nos nomes, e nas pessoas que por ali circulam num mundo tão fugaz e, ao mesmo tempo, tão pessoal. Passa rápido uma noite na Queima, mas fica para sempre na memória dos experienciados.

A Queima arrasta tantos públicos, que mais nenhuma festa neste país consegue tal façanha. É grande, é ao ar livre, tem muita música e tem álcool. Muito álcool. Álcool barato e negociável.

Ao segundo dia estávamos mesmo muito mal, mas não esmorecemos. Afinal de contas, a Queima é só uma vez por ano e nós precisávamos de saber tudo o que lá se passava. Então lá fomos nós pelo meio da multidão. Foi uma loucura! Todos os festeiros unidos e munidos de acessórios da Queima, as típicas orelhas de coelho, os chapéus de palha oferecidos pela tenda da Licor Beirão (bem engraçada, por sinal) e as marcas de guerra na cara. Na Queima não faz mal, ninguém leva a mal… Continuamos por lá a deambular, encontrámos amigos e dançamos na tenda electrónica o “puntz puntz” que sabia bem no fim da noite. Comemos pão com chouriço (negociado, claro!) e andamos nos carrinhos de choque. Devo-vos dizer que foi uma experiência bem louca…

No fundo, a Queima das Fitas resume-se a situações idiossincráticas que só acontecem uma vez ao ano. As pessoas dão-se todas bem, mesmo quando não se cumprimentam durante todo o ano, o pessoal anda alegre, as miúdas entram em coma alcoólico e lá vai o INEM pró meio da multidão.

As zangas acontecem, que no dia a seguir se resolvem, e o pessoal vibra nos concertos, direcionado às multidões gritantes e carregadas de ânsia. Os putos choram, os outros acham piada e bebem todos juntos mais um shot. Aqui, bebe-se das coisas mais estranhas, com cores esquisitas lá dentro, mas ninguém se importa, e também não há que importar.Na Queima tudo tem um sabor especial. Mesmo com tantos dias seguidos de festa, uma pessoa acha que não vai aguentar e depois lá se acorda com vontade de mais uma noite bem passada. E mais outra, e mais outra, e outra…

redatora: Mariana Ribeiro