A RÁDIO MANOBRAS AFIRMA-SE COMO UM MEIO DE EXPERIMENTAÇÃO SONORA, VOLTADO PARA A CIDADE E PRETENDE APROXIMAR-SE DAS PESSOAS E DAR-LHES ESPAÇO PARA PARTILHAREM AS SUAS HISTÓRIAS E FALAREM SOBRE A SUA CIDADE.

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Subimos quatro andares de escadas em caracol, protegidos por paredes grafitadas, atravessamos a porta cinzenta e seguimos até ao fundo do corredor, passando por múltiplas portas e alguns espaços ao ar livre. Aí, numa pequena sala, dentro de um local tão mítico como o Maus Hábitos, em pleno coração da Invicta, encontra-se o estúdio da Rádio Manobras, um espaço aberto à comunidade, uma antena livre, uma rádio dedicada à cidade do Porto, construída pelos sons e pelas pessoas que a povoam.

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A partir da Rua Passos Manuel a Rádio Manobras transmite para a frequência 91.5 FM, chegando um pouco mais além do Porto cidade. A ambição não vai para além dos 50W, limite de radiodifusão permitido. O que se pretende é “fazer mais e cada vez melhor”, explica Hélder Sousa, responsável por este projeto. A Rádio Manobras surgiu em Setembro de 2011, a partir do projeto de intervenção cultural, artística e urbana no centro histórico da cidade, Manobras no Porto, sendo o porta-voz oficial de todas as suas iniciativas. Além disso, afirma-se como um meio de experimentação sonora, voltado para a cidade, e pretende aproximar-se das pessoas e dar-lhes espaço para partilharem as suas histórias e falarem sobre a sua cidade.

A partir da Rua Passos Manuel a Rádio Manobras transmite para a frequência 91.5 FM, chegando um pouco mais além do Porto cidade. A ambição não vai para além dos 50W, limite de radiodifusão permitido. O que se pretende é “fazer mais e cada vez melhor”, explica Hélder Sousa, responsável por este projeto. A Rádio Manobras surgiu em Setembro de 2011, a partir do projeto de intervenção cultural, artística e urbana no centro histórico da cidade, Manobras no Porto, sendo o porta-voz oficial de todas as suas iniciativas. Além disso, afirma-se como um meio de experimentação sonora, voltado para a cidade, e pretende aproximar-se das pessoas e dar-lhes espaço para partilharem as suas histórias e falarem sobre a sua cidade.

Hélder Sousa transitou do mundo das artes performativas para a rádio, começando por constituir a equipa com Marisa Ferreira, ligada à cenografia, à qual se juntou Filipa Mora, da área das ciências da comunicação. Bernardino Guimarães, ligado à primeira rádio pirata do Porto, a Rádio Caos, completou o primeiro painel da Rádio Manobras, que é composta por muitas outras vozes que pontualmente invadem este espectro radiofónico.

A grelha de programação é diversifica-da, o que resulta da abertura e da liberdade que esta rádio proporciona. A ausência de fronteiras da Rádio Manobras é o que mais a diferencia, além de outras mais-valias como “a informalidade da abordagem, o facto de estarmos completamente dedicados a assuntos locais, ao som da cidade, à voz das pessoas”, aponta Hélder Sousa. Esta é, de facto, a única rádio que funciona num modelo quase comunitário. No entanto, revela-se difícil conquistar o público mais próximo da comunidade, ao contrário da vertente mais artística, mais urbana e mais contemporânea. O próprio local onde a rádio se encontra facilita o acesso ao circuito cultural e artístico da cidade. Para chegar até à comunidade a Rádio Manobras teve que sair do Maus Hábitos e percorrer as ruas do Porto, contactando com as pessoas, seduzindo-as e explicando-lhes que este é um espaço através do qual se podem fazer ouvir.

PRÓXIMO OBJETIVO A CUMPRIR: “REUNIR OU CRIAR ENERGIAS NA CIDADE CAPAZES DE FAZER COM QUE AS PESSOAS OLHEM PARA A RÁDIO COMO UMA FORMA DE COMUNICAR ENTRE SI E COMUNICAR SOBRE SI COM OS OUTROS”.

Além da sintonia 91.5 FM a Rádio Manobras possui uma página de Facebook, com cerca de 800 likes, onde partilha alguns excertos dos seus programas. Mais tarde, vai existir uma versão online rádio, integrada no projeto de Gustavo Costa, Recolha do Património Sonoro do Porto. Este consiste num mapeamento sonoro da cidade através de recolha de sons em espaço público, cartografando essas sonoridades e disponibilizando-as posteriormente para que possam ser reutilizadas. Anatomia da Cidade é outro projeto sonoro, que engloba uma componente de vídeo, com o qual a Rádio Manobras colabora. João Cruz, professor da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, desafiou os seus alunos a construírem retratos sonoros da cidade. As parcerias com instituições de relevo na cidade, como a Universidade do Porto, vão garantir o funcionamento da rádio e a sua sobrevivência, quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista da produção de conteúdos. Neste momento, o próximo passo da Rádio Manobras é , segundo Hélder Sousa, “reunir ou criar energias na cidade capazes de fazer com que as pessoas olhem para a rádio como uma forma de comunicar entre si e comunicar sobre si com os outros”.

Texto: Melanie Antunes

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