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NAS COREBOARDS DA PUG HÁ SEMPRE UM CÃO DE FOCINHO TRISTE. SAI DA CARPINTARIA LÁ PARA OS LADOS DE ALCOBAÇA E PASSEIA-SE PELAS CIDADES PORTUGUESAS E MUNDIAIS OSTENTANDO A SUA IRREVERÊNCIA E ORIGINALIDADE IMPRESSAS NAS TÁBUAS.
A IDIOT APRESENTA-VOS DE FERREIRA MALHÃO, A CRIADORA DA PUG VINTAGE COREBOARDS. OU SE QUISEREM, A RAPARIGA QUE DESENHA E CONSTRÓI A SUA PRÓPRIA MARCA DE SKATES.

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Licenciada em Arquitectura pela FAUP e apaixonada pelo Porto, foi em 2012 – o ano do mestrado e da viagem de finalistas à Rússia e suas metrópoles – que deu a De Ferreira Malhão o baque dos skates “à antiga”. “Ao fim de uns dias a caminhar por aquelas cidades enormes e planas só me apetecia ter um skate comigo daqueles planos e pequeninos que cabem em todo lado”, relembra à Idiot.
Falamos do modelo Cruiser, o skate de passeio que “dá imenso jeito para correr cidades”. Feitas as malas e de volta a casa, pede a um colega dono de uma pequena carpintaria que lhe faça a primeira tábua: um skate plano, o tal corte cruiser e com uma pega de transporte incorporada. Pois, leram bem. A criadora conhece depois um designer que acaba por lhe ilustrar para os skates um pug – o cão da sua vida – e publicar a experiência no Facebook. Pugs não são uns cães quaisquer e o feedback, imediato, dá asas ao novo projecto.

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Estava lançada assim a PUG Vintage Coreboards, um estilo de pranchas oldschool, planas e feitas para correr “as ruas das cidades e marginais” – até os surfistas o fazem quando o mar está flat – com madeira trabalhada (contraplacado de bétula), totalmente artesanais e de origem nacional. E as pegas? “As pegas são o “boom” inovador que o pessoal adora”, diz a mentora do projecto, que já domina o skate desde os tempos de miúda. “Faço tudo com materiais locais, como a madeira, cortiça, serapilheira (sacos onde vão os skates) para promover o consumo e divulgação do produto nacional”, conta De Ferreira Malhão, que usa a técnica da pirogravura, uma espécie de caneta de aço ligada à corrente para queimar a madeira. A paixão pelo Pug já vem de longe, pois sempre gostou de cães que normalmente são “considerados feios”, como diria a sua mãe. “Os Pugs para mim são uma raça que complementa para mim todos os requisitos: são fofos, leais, pequenos (o que dá facilmente para levar em viagens e para ter num apartamento), extremamente expressivos e ladram muito pouco”. Próximo objectivo? Comprar um.

EDIÇÃO ESPECIAL

Hoje trabalha sozinha, desenha, constrói, vende, pesquisa, reinventa. “Ser mulher no mundo dos skates é uma vantagem, sempre que falo com um fornecedor, gerentes de lojas ou outros fundadores de marcas de skateboards sou tratada como uma princesa”, confessa a arquitecta, sorrindo. “A conversa e a discussão sobre “coisas de homem” tornam-se interessantes e produtivas, pois as opiniões divergem. Desde a estabilidade dos materiais e técnicas até ao lado bonito e fofo do produto de design”.

Para o futuro, quer vir a trabalhar outros tipos de prancha com outras madeiras e espera que a marca continue a crescer. “Sinto-me formidável, faço o que gosto e tento levar o projecto e a marca a um nível cada vez mais alto, conseguindo já chegar à comercialização internacional”.

Atualmente, a PUG tem merchandising de t-shirts, sweaters, bonés, cujos ganhos ajudam a arquitecta a investir cada vez mais nas pranchas. A colecção fixa de 2013 será pintada pela criadora e terá direito a uma edição especial – cada skate será único – ilustrada por artistas convidados.
As vendas iniciaram-se online em http://pugvintagecoreboards.com/ , mas actualmente já podemos encontrar a marca PUG em algumas lojas de skates. Os preços variam desde os 60 aos 80 euros para as tábuas simples e dos 120 aos 150 euros, nos skates completos – rodas, trucks e rolamentos.
A PUG por enquanto corre mais cidades internacionais do que nacionais mas com o lançamento da colecção antes do Verão o objectivo é mesmo “correr as praias portuguesas para divulgar e vender o produto”. Nós já temos um.

Texto: Tish