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OS RESULTADOS DAS RECENTES ELEIÇÕES PARA O PARLAMENTO EUROPEU CHAMARAM A ATENÇÃO PARA O EUROCETICISMO QUE SE EXPERIENCIA ATUALMENTE, COM A PRESENÇA DOS PARTIDOS DA EXTREMA-DIREITA A FAZER-SE SENTIR POR TODA A EUROPA. PODERÁ ESTE SER O PRINCÍPIO DO FIM DA UNIÃO EUROPEIA?

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Dos Balcãs ao nosso pequeno país, as recentes eleições europeias revelaram um profundo descontentamento com o estado do nosso continente: da vitóra do chauvinismo de Marine Le Pen, na França, e das políticas mais cínicas ao Espaço Europeu de Nigel Farage, na Grã-Bretanha e de Sinn Féin, na Irlanda, os eleitores pareceram, em geral, enviar um sinal de que estavam a questionar o modo como a Europa é governada.

Com o Parlamento Europeu e o seu líder a possuir um maior poder no processo legislativo europeu, esta eleição teve uma importância significativa, tornando os seus resultados numa alarme para a fúria crescente dos eleitores europeus. Cinco anos de questões com a moeda única, dívidas e planos de austeridade, os resultados mostram uma Europa dividida, fragmentada, e com eleitores desencantados com os partidos de maioria, agarrando-se aos ideiais de partidos marginais (pequena revisão da matéria História do 9º ano: após a crise económica de início do século XX, foram exatamente as mesmas vozes “marginais” que deram uma nova esperança ao povo europeu.

O resultado já todos sabemos). Apesar das elevadas percentagens de abtenção sentidas em toda a Europa (a média rondava os 50% em quase todos os países), um porta-voz do Parlamento Europeu descreveu os níveis de participação neste processo eleitoral como históricos, afirmando que havia acontecido uma cisão entre os comportamentos eleitorais dos europeus. Contudo, com números da abstenção tão elevados, muitos contestam a validade das eleições e da instituição em si.

Para uma parte da Europa, a vitória surpreendente de Marine Le Pen, na França, foi a mais chocante. A vitória de Le Pen, na França, a primeira vez que a Front National (FN) vence face aos partidos tradicionais franceses, numa grande eleição (François Hollande obteve 14% dos votos). Le Pen rapidamente definiu o voto como um sinal de apoio à sua política anti-imigração, utilizando o recente resultado do referendo suiço sobre o assunto para pedir o mesmo em território francês. A vitória de Le Pen fez-se sentir por todo o território francês, inclusive na costa ocidental, que até então tinha sido impermeável às suas políticas xenófobas e anti-Europa. O aumento no apoio vem das camadas mais jovens e do proletariado. Quando os resultados se tornaram evidentes, na noite de domingo, o primeiro ministro francês anunciou um terramoto no panorama social e comprometeu-se a restaurar o crescimento da nação. Hollande afirmou que a França não seria capaz de cumprir o seu destino enquanto nação curvando-se sobre si mesma e excluindo o outro (pequena revisão da matéria de História do 9º ano: o sentimento ou noção de o outro era associada muitas vezes aos judeus, que eram vistos como elementos separados da sociedade. O resultado já todos sabemos).

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O impacto imediato das eleições variará por todo o terrtório europeu: os resultados trarão renovada pressão para eleições antecipadas na Grécia e na Bulgária, a própria prestação de Marine Le Pen poderá ter consequências imprevisíveis no panorama político francês. Mas enquanto os principais blocos partidários europeus recuperam destes resultados, a atenção volverá sobre as alianças que serão formadas no Parlamento e na disputa pelos principais cargos em Bruxelas. Apesar da vitória triunfante do Front National, teremos de aguardar para ver se a sua líder conseguirá arranjar apoio de um número suficiente de partidos de países diferentes para assegurar um bloco nas votações do Parlamento. Isso requer, pelo menos, 25 membros do Parlamento Europeu de sete nações distintas.

Mesmo os resultados de nações que não votaram por partidos da extrema direita, tal como Portugal, a Eslováquia e a Roménia, são chamadas de aviso para o governo centro-direita que atualmente lidera. Na Grécia, os resultados a favor de Syriza são um claro protesto às políticas de austeridade implementadas, mas também aí se sente a insurgência da extrema direita com a Aurora Dourada, um partido neo-nazi, a eleger pelo menos dois membros do Parlamento Europeu.

A tendência eurocética dos resultados para o Parlamento Europeu mostram um povo insatisfeito com a realidade governamental e, mais preocupante, desiludidos com os valores da União Europeia (pequena revisão da matéria de História do 9º ano: O resultado já todos sabemos).

Redator: Tiago Moura