FacebookLinkedInTwitter

AQUELE MOMENTO EM QUE FUMAMOS UM CIGARRO E OLHAMOS PARA A BORRA DA CHÁVENA DO CAFÉ E O UNIVERSO SE DECLARA A NÓS. O MOMENTO EM QUE O TÍTULO DE UMA MÚSICA SE DESDOBRA NA JUSTIFICAÇÃO DA NOSSA EXISTÊNCIA. A EPIFANIA DE JUNTAR A FALA DE UMA PERSONAGEM DA NOSSA SÉRIE PREFERIDA E PERCEBER QUE UM LIVRO PODE SER ESCRITO SOBRE UM TEMA HÁ MUITO ESCONDIDO NO NOSSO SUB –CONSCIENTE. AH! OUTRA VEZ. CRIATIVIDADE OU INSPIRAÇÃO?

Suprema manifestação do nosso ser. Expressão infinita dos nossos medos. Ruína total da ignorante felicidade. Consciência eterna do mundo a tons de cinza. Já que existes. Que sejas a melhor. Traz-nos prazer. Traz-nos alegria ou dor. Mas traz-nos extremos. Traz-nos sucesso e objetivos atingidos. Traz-nos resultados e vida. Existe para o meu bem. Existe para o meu mal. Transforma-te em tradução de mim e do meu ‘eu’ nos outros. Se existires, ao menos que sejas a melhor.

Hendrix, Jimi
Não sejas amena e simples, não sejas uma Frida sem Kahlo, nem um Hendrix sem guitarra. Não rebentes paredes para depois as reconstruires. Sê a pior. Arrasa com tudo. Sê tumultuosa e viril, feminina e fatal. Sê tola, não tenhas medo. De que é que te serve o medo? Para te imputar restrições, rédeas e hierarquias. Tu é que mandas. Eu viro-me para onde tu mandares. Mas, por favor, manda-me. Acaba com as noites bem dormidas e com a capacidade de lucidez. Mediana? Acredito que tenha que haver um equilíbrio, de ferocidade e serenidade, de genialidade e mediocridade. Mas, já dizia o outro, e muito bem, “dos fracos não reza a história”. Então ao menos acaba comigo e com o meu cérebro e com o meu coração. Dou-te tudo de mim. Mas tens que dar de volta.
Frida Kahlo
Porque não podes sair impune disto tudo. De ideias se cria o mundo. Será? De ideias está o mundo cheio. Realmente está. Mas as que são boas, aquelas mesmo muito boas, essas sim. Essas conseguem abrir o Mar Vermelho e assassinar o JFK. É preciso um canal. Criar toda a gente cria. É preciso é pôr toda a miscelânea em prática. Com alma e coração e também muita destreza. Algum dom de oratória também não faz mal a ninguém. Porque não se esqueçam de uma coisa: se houver um grande argumento, não precisamos de grandes efeitos especiais. Bem, na realidade, sucinta e assertiva, apenas observamos que existem muitos criativos, aliás: existem todos os criativos. Todos criamos, bem ou mal, de forma espontânea ou contratada ou até as duas. Mas todos criamos alguma coisa diariamente. Até há quem crie pessoas!

Então o que é que mede a criatividade? Ou a criatividade é imensurável e nós apenas medimos a qualidade do que é criado? Se assim for, de que adianta sermos “muito” criativos, quando quantidade não é qualidade e o que se quer é que, quando alguém crie, que crie alguma coisa obscenamente espetacular, ridiculamente maravilhosa. A todos nós nos passa uma coisa pela cabeça: atinge-me como um trovão. Parte-me ao meio e contigo traz a melhor ideia do mundo para dentro de mim. Pois é. Mas de raios e trovões só Zeus no seu Olimpo. É preciso trabalho. É preciso esforço, dedicação, suor e mãos na massa. Realmente a criatividade não toca à campainha, mas a romantização da criatividade é que mata o criativo. És-me tão querida que te escrevo na primeira pessoa, se pudesse até escrevia em todas, mas os meus Idiotas iam ficar chateados.

Redatora: Ana Meira