ALINE FOURNIER É “ LAFOUINOGRAPHE“ — CONTRACÇÃO DE “LA FOUINE” ( FUINHA, O ANIMAL SELVAGEM CONHECIDO PELA SUA CURIOSIDADE, COMO A ALINE) E “GRAPH”, DERIVADO DE FOTOGRAFIA..

Estudou jornalismo e com o diploma do bolso percebeu que já era hora de ter a sua independência, fazendo um curso de design de multimédia. “ Depois disso trabalhei seis meses numa agência de publicidade e mais um ano e meio numa multinacional responsável pela comunicação para toda a Europa. Estas duas experiências disseram-me que não sou pessoa de trabalhar para um patrão e que era mesmo urgente ser freelancer”.

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DE ONDE VEM

Nasceu em Nendaz, Valais, Suíça, uma região selvagem. “Somos gente de carácter forte, e orgulho nas nossas origens. A má parte é que muita gente aqui nesta região tem uma mente muito fechada e nunca viaja. Quando saímos de casa, deixamos de existir para eles. Mas é uma boa equação. Tenho raízes fortes e é altura de descobrir o mundo e abrir a minha mente”.

SOBRE A SENSIBILIDADE…

“Tive uma doença quando tinha 3 anos e perdi sensibilidade auditiva. Não tinha irmãos e durante a minha infância fugi para os universos imaginários que criei na minha cabeça. Nunca perdi a minha imaginação inquieta até hoje e isso ajuda-me muito com a fotografia. E algumas pessoas dizem-me mesmo que vejo mais na profundidade, no 3 D por esta falta de audição”.

COMO TRABALHA A SUA PAIXÃO

Teve aulas de fotografia analógica – “Sim, sou velha já”, diz sorrindo – e “amou”. Principalmente a “black room” onde passou tantas horas. Com o curso de multimédia aprendeu fotografia digital, trabalhando no Photoshop: “ A máquina estava lançada, nunca mais parei de fazer fotografia”, conta-nos. “Também aprendi muito sobre publicidade e marketing, conceitos, identidade, como atingir o público alvo, e isso influenciou-me muito no meu trabalho, hoje mais do que nunca”.
Desde Janeiro de 2012 é fotógrafa a 100% e a maior parte dos seus trabalhos foram sobre fotografia publicitária para empresas e artistas, e trabalho de foto reportagem para os media e eventos privados. “ A parte mais importante de mim é o trabalho de fotografia com modelos, a criação de universos, viajar com a fotografia. “Não consigo ainda viver disso, mas estou a construir o caminho. Ser freelancer dá-me flexibilidade suficiente para ter “empregos”, durante estes anos todos. Não sei se sou fotógrafa. A câmara é um meio, acho que sou mais uma artista que produz trabalho comercial para viver”. Trabalha essencialmente com luz natural e o menos possível em estúdio. A maior parte do seu trabalho é o “antes” ( procura de modelos, lugares, autorizações, temas, figurinos) e o “depois” na pós produção. “Tirar a fotografia em si é apenas 25% do meu trabalho”.

O QUE FAZ QUANDO NÃO ESTÁ A FOTOGRAFAR

“A fotografia consome o meu tempo todo. É uma paixão verdadeira. Quando posso, viajo, conheço pessoas noutros países e tiro fotografias com eles. Quando estou na Suíça, adoro passear nos Alpes, nas paisagens selvagens. Tenho a sorte de viver no Sul da Suíça, meia hora de carro e estou em Itália ou França”.

MOMENTOS MEMORÁVEIS

“Todas as fotografias são uma experiência fantástica e cheia de surpresas. Muitas vezes fotografo em sítios proibidos com mulheres que usam vestidos de noite compridos e saltos altos. É épico! A fotografia mais estranha que tirei até hoje foi com um pianista num mês de Março. Toda aquela logística de cinco homens e um transporte para levar o piano! Estava muito frio e o pianista só conseguiu tocar dois minutos”, conta sorrindo. “Mas o resultado foi interessante”. Vejam aqui.

AS SUAS INFLUÊNCIAS

“A minha maior influência é o David LaChapelle e também Erwin Olaf”.

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AS SUAS INSPIRAÇÕES…

“Tudo o que seja original. Pode ser uma pessoa, um estilo, uma decoração, uma ideia, um livro, um desenho. Sou muito curiosa e olho sempre tudo à minha volta. O poder da natureza é uma óptima inspiração. O homem não é nada comparado a isso”.

… E EXPRESSÕES

“Quero que as pessoas sintam algo quando olham para as minhas fotografias, e façam a sua própria interpretação. Deixo as minhas fotos abertas o mais possível, as pessoas podem ter várias interpretações para a mesma foto, dependendo da sua vida, dos seus sentimentos”.

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O QUE QUER PARA O FUTURO

“Adorava fazer mais fotografia artística e trabalhar com outros profissionais (maquilhadores, hairstylist, cabeleireiros, decoradores, estilistas) para um melhor resultado. Estou a ver se consigo ir viver para Nova Iorque uns meses, para encontrar novas possibilidades de colaborações”.

A EXPERIÊNCIA IDIOTA. E COMO AMOU O PORTO, CLARO.

“Entendi recentemente a importância da promoção. Primeiro quando comecei a fotografia, estava escondida atrás de uma alcunha. Agora, adorava mantê-la mas é impossível se quero bons trabalhos e colaborações. Tenho de vender-me e o meu trabalho como uma marca. Faço-o na Idiot.
Conheci a Idiot Mag através de uma modelo suíça que tem um primo jornalista no Porto. O mundo é mesmo pequeno! No mês passado, conheci os “patrões” e outros elementos da equipa. Foi um prazer. É a segunda vez que venho ao Porto e estou impressionada pela inspiração e criatividade nesta cidade. Não compreendo os artigos da revista porque não sei português, mas acho visualmente muito interessante. É fresca, jovem, moderna e não convencional. Ser a artista convidada deste mês é um privilégio, estou muito orgulhosa. É importante para mim que este trabalho seja realizado no Porto. Conheci muitos modelos, de vários estilos e foi um prazer trabalhar com eles. Muito obrigada, equipa Idiot!”
Redatora: Tish

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Redatora: Tish