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COSTUMO DIZER QUE O PORTO TEM DUAS BAIXAS – A RUA DE STA. CATARINA E A RUA DE CEDOFEITA -, MAS ENQUANTO UMA É EXTREMAMENTE VIVIDA, A OUTRA VÊ AS LOJAS SEREM CADA VEZ MAIS PARCAS.

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No entanto, a rua de Cedofeita tem vindo a sofrer alterações e ganho uma nova vida dentro do movimento quotidiano portuense. Uma das causas para esta mudança chama-se Cedofeita Viva, um grupo de estudantes e professores do ISCET (Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo) da licenciatura de Marketing e Publicidade: Bruno Ribeiro, Carlos Duarte, Cristofer Miranda, Diogo Paixão, Eder Fernandez, Elco Silva, Guerra Macedo, Jorge Machado, José Silva, Luís Robalo, Márcio Carneiro, Maria Figueiredo, Mário Soares, Nádia Sousa, Nuno Lobo, Raquel David, Sara Pinheiro, Sónia Esteves, Vannick Pina, coordenados pelo professor José Magano.

O projeto serviu para revitalizar a rua de Cedofeita, outrora uma zona reconhecida e enérgica da cidade do Porto que, com o tempo, viu o comércio fugir devido ao desenvolvimento noutras áreas da cidade. «No ISCET reflete-se sobre a realidade envolvente e equacionam-se formas viáveis de participar no desenvolvimento comunitário e cívico. A intervenção comunitária faz parte da missão do instituto e tem sido encorajada junto da comunidade educativa, como forma de contribuir para um desenvolvimento pessoal dos intervenientes – estudantes e docentes» – explica o professor José Magano.

Uma vontade indómita para a dinamização da rua foi o que levou ao nascimento deste grupo. Vemos, hoje em dia, uma Cedofeita cujo comércio enfrenta graves dificuldades devido ao surgimento de cada vez mais centros comerciais e a um envelhecimento dos moradores. O mesmo se pode dizer dos serviços que cada vez mais se deslocam para outras áreas. «A combinação destes fatores levou a que Cedofeita perdesse públicos e visse diminuído o impacto que antes tinha no plano comercial e cultural.

A ideia do projeto foi, precisamente, programar e executar atividades suscetíveis de atrair de novo as pessoas a Cedofeita, na convicção de que desse modo se estimula a atividade comercial, dinamizaria a cultura e lazer, e se criariam melhores condições de atratividade para investir e valorizar o património edificado. A intervenção é inclusiva, mobilizando residentes, comerciantes, voluntários e outros parceiros, e de largo espectro de ações, procurando a equipa do ISCET aportar capacidades e competências de que dispõe e que partilha com todos».

Os projetos iniciados por este grupo são muitos, José Magano destaca a ação Limpar Cedofeita na qual afirma que «a orientação da ação não foi “anti-grafitos” – achamos que até há paredes que mereciam intervenções artísticas -, mas sim de rejeição de grafitos que sinalizam o puro vandalismo e atentam contra a preservação da propriedade». Em conjunto com o grupo de teatro da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e com a Culture Print participaram também nas inaugurações de Bombarda em abril, na performance Um Fernando, Muitas Pessoas e Liberté com Allantantou e Terra na Boca. No dia quatro de maio ainda reuniram em Cedofeita associações que recolhem e promovem a adoção de animais abandonados, sensibilizando todos os transeuntes que passavam para a adoção responsável de animais.

Maria Figueiredo, aluna e estagiária do projeto, explicou-nos como fazer parte dos Cedofeita Viva alterou por completo a sua vida neste ano letivo. Depois de ter participado no ano passado como voluntária, o gosto pelo projeto foi crescendo assim como a sua vontade de ajudar e participar na dinamização da rua de Cedofeita e, a partir de 2013, assumiu funções de estagiária no ISCET, com tarefas dedicadas ao Cedofeita Viva. Em cada ação do grupo, Maria explica que passa por fases muito distintas como a preparação e a concretização, uma vez que a ansiedade predomina antes de qualquer ação, já que se pretende que esta seja impactante e marque a diferença na atitude de quem participa e assiste.

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É essa ideia de dever cumprido que incentiva à continuidade do projeto que Maria espera ver este projeto crescer e trazer cada vez mais inovações, como voltar aos tempos áureos de Cedofeita e torná-la não só numa referência cultural, mas também de bom comércio tradicional.

A verdade é que quase pode dizer-se que existem duas Cedofeitas, após a aposta deste grupo. As suas intervenções têm chamado cada vez mais pessoas que respondem afirmativamente a cada ação feita. Muitas respondem que estão ali porque já ouviram falar da animação que este projeto contém, tendo já milhares de seguidores no facebook e, embora se saiba que uma manutenção de uma rua, com ideais deste calibre, pode vir a demorar algum tempo, nada depõe a persistência do grupo.

E esta persistência é de tal forma forte que existem já mais projetos para o futuro «em junho temos programado um mercado de rua para contribuir para a angariação de fundos de uma missão em África; um desfile e exposição de veículos antigos dos Bombeiros Voluntários Portuenses e uma exposição de MG clássicos – tudo na rua de Cedofeita. Outras ações se seguirão, embora um pouco limitadas pela disponibilidade dos estudantes, condicionados pela sazonalidade letiva, e por recursos que finalmente não são tão elásticos como gostaríamos» acrescenta José Magano.

Sem nunca esquecer que esta intervenção profunda na rua de Cedofeita passará sempre pela articulação e colaboração com outras partes, nomeadamente com a ACECE (Associação dos Comerciantes e Empresários de Cedofeita).

São cada vez mais aqueles que se juntam ao movimento e, por isso mesmo, este grupo planeia começar a intervir ainda mais pela rua. Consideram, também no futuro, não só continuar a edificar projetos de animação, mas também desenvolver projetos que possam contribuir para a modernização e reedificação da identidade que, outrora, fez de Cedofeita uma das ruas mais importantes da Invicta.

Há cada vez mais movimentos a terem lugar no Porto e é tão bom sentir a cidade a acordar.

Texto: Ana Catarina Ramalho