Quando recebemos o convite, ficamos espantados. Já conhecíamos o Artur, já tínhamos sido entrevistados, numa hora de conversa afiada, para o seu programa de rádio online.
Passado mais de um ano voltou a estabelecer contacto, com a ideia de pegar num festival em Lousada, já minado por interesses e acomodados, e torna-lo num festival que juntava as mais variadas tendências da música actual, mas não esqueçendo as outras formas de arte urbana. O convite pareceu-nos muito interessante, mas demasiado ambicioso, para a pequena comunidade onde se inseria.

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Mural de Godmess, Asno e SEM

Para este projecto chamamos algumas das tropas da street art do Porto: GodMess, SEM e ASNO (meio Chei Krew) para decorarem as paredes laterais do palco, e Frederico Roeber e Maria Pedras para criarem uma instalação que fosse um marco, um ponto de encontro e uma referência no festival.

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Os murais eram nas laterais do palco
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Fazemos um mural ou um teatro de sombras?

A coisa começou a correr bem naturalmente, os Lousadenses já conheciam o nosso trabalho e estavam expectantes pelo resultado.
Chegamos então a Lousada, para montar o mural e para os artistas começarem a esboçar os primeiros traços. Ao chegarmos o entusiasmo cresceu rapidamente, Roeber e Pedras já tinham estado no espaço e com a organização ergueram um cubo com mais de 7 metros no ar, revestido a uma rede que com o vento fazia um efeito ondulado, de certa forma reconfortante. Parecia um presságio de bons ventos que chegavam ao topo de Lousada.

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Instalação de Frederico Roeber e Maria Pedras

Conhecemos a inexperiente equipa, e rapidamente percebemos que inexperiente não era de maneira nenhuma algo prejurativo para eles. Cheios de vontade de inovar e com afiada atenção aos pormenores, mostraram-se mais capazes que muitos produtores já com créditos firmados na praça.
De um momento para o outro já tínhamos uma equipa de 10 pessoas a montar, serrar e a erguer o mural feito de lonas recuperadas dos outdoors da câmara. O resultado foi satisfatório, embora ainda tivesse algumas falhas. Falhas que no dia seguinte, foram rapidamente corrigidas pelos responsáveis da câmara.

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Escadas é coisa para meninos.

A metros do recinto, fomos conduzidos ao “Tiro ao Prato”. Sentados numa mesa redonda, juntava-se a equipa à refeição, regada de um bom vinho da terra e de um bagaço capaz de levantar um morto. E como estamos em Portugal, ao fim da refeição o anfitrião, o Sr. Moreira, ainda nos mostravas os seus dotes no acordeão. Inesperado.

O hotel era em Penafiel, a 8 km de Lousada, o que fez com que nos deslocássemos de taxi. Sendo uma equipa grande, arranjamos um taxista que se mostrou uma peça fundamental nesta viagem. Na primeira corrida levou 7 pessoas. Não acabava aqui a nossa interacção com o grande Pereira.

A primeira noite acabou, correu muito bem, regada de rimas afiadas pela Capicua. No segundo dia as coisas já corriam naturalmente, sob o sol intenso do interior os artistas acabaram o mural e juntamo-nos para mais uma noite, agora sem obrigações.

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Anfitrião, empregado de mesa e entertainer: Sr. Moreira

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A Beatriz Gosta da Idiot

O cartaz era composto por Carlão, que ao conhecer a Idiot Mag se auto proclamou um Idiota (esperto!). Houve ainda espaço para alguns artistas já nossos conhecidos: Steve Parker e Fautzi. No meio de historias engraçadas, uma fica-nos na cabeça pela vontade da nossa responsável multimédia: a imparável Ana Pouzada. Depois de ter estado a trabalhar noutro inóspito local do nosso Portugal, viajou 1h30 para nos encontrar, tendo tido tempo para se perder e ficar sem gasolina. Situação que não a demoveu, abandonou o carro, arranjou boleia de um padeiro local e rapidamente juntou-se a nós no recinto. A salvação? Sr. Pereira, o taxista multi tasking foi-nos buscar, encontrou o carro, tiramos os valores e fomos descansar. No dia seguinte, foi-nos apanhar, buscar gasolina, atestou o carro despedimo-nos.

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Na primeira impressão estranhou o “Idiota”, mas depois não queria outra coisa.
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Com o calor toda a ajuda era pouca.

Fica na memória nesta primeira edição a grande força de vontade de todos os membros da organização que não quiseram apenas encher os bolsos e se esforçaram para realmente marcar a diferença, os voluntários sempre prestáveis, e os locais que nos receberam como dizem que os portugueses recebem, pelo cartaz variado e composto a 100% por talentos lusos. Pontos negativos só aponto um: o calor infernal, mas isso sou eu que não sou pessoa de calor! Para o ano estamos lá!

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A selfie com o Sr. Pereira era obrigatória

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Os idiotas também marcaram presença!

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Já é para ir embora?

Texto: Nuno Dias
Fotografias: Godmess e Nuno Dias