“I don’t want discrimination and [I want] equality, but I make a difference at some point”, esclarece Angela Merkel numa entrevista online a Florian Mundt

Merkel 1

Ora bem, o que é que a senhora Merkel diz sobre o casamento homossexual? O cosmos fica em pontas de pés para ouvir a opinião de tão relevante líder político mundial, não vá ela ser polémica ou contraditória. Ainda bem. Ainda bem que estamos de olhos postos em alguém que tem o poder de fazer estremecer contexturas. Então vamos lá ver o que é que a senhora anda a dizer sobre o tema. Ponto número um: a Chanceler Alemã, fervorosa cristã, acredita que existe uma grande diferença entre “casamento” e “uniões civis”. O primeiro estado deveria ser celebrado e oficializado, aos olhos da senhora, apenas entre um homem e uma mulher. Mas, não a incomoda que os homossexuais façam contratos de parcerias civis. Ora que bela forma de manter os homossexuais e os defensores da igualdade de direitos bem caladinhos.

Vamos ver que, legalmente, os senhores e as senhoras do mesmo género que se queiram casar podem fazê-lo. O que não quer dizer que ao nível do divino, do celeste e do Nosso Senhor Jesus Cristo isto seja bem aceite. Negócio é negócio. Não misturem negócio com amor. Amor é só para alguns, aqueles que são um casal composto por um homem e uma mulher. Os outros fecham apenas negócios altamente rentáveis (como o pagamento dos impostos em comunhão, por exemplo) mas isso não quer dizer que se amem como um casal heterossexual. Certo? Ok, Merkel querida, já compreendemos a diferença. Afinal não é o amor que quebra todas as fronteiras, é o negócio.

merkel lesbian

Ponto número dois: a líder política acredita na eliminação da discriminação. Depois do referendo na Irlanda, fez mais do que sentido permitir a união civil entre casais homossexuais. Não lhe chamem casamento porque a senhora não gosta. Mas, ainda assim, o governo alemão deixou bem claro que o “casamento” homossexual não é um objetivo a atingir. Traduzindo, então, o que a senhora defende: o casamento é uma união entre um homem e uma mulher que se amam, é o reconhecimento da contração de um matrimónio religioso, legal e governamental; a união civil é uma parceria entre duas pessoas que, aos olhos da lei e do governo, têm legitimidade e benefícios fiscais tal e qual como uma sociedade. Portanto, o hashtag LoveWins não é, de todo aplicado neste caso.

Amor? Qual amor? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vamos deixá-los serem um casal, mas não se reconhece que os casais homossexuais se unem pelo amor, unem-se devido aos benefícios fiscais. Depois, há-que perceber que os direitos humanos deverão ser respeitados, a igualdade e a discriminação são assuntos sempre no topo da agenda, ainda mais num país do Primeiro Mundo. Mas vamos lá ver, há limites meus senhores. Os homossexuais têm o direito de se unir e legalmente serem reconhecidos como um casal. Mas não vamos deixar de delinear uma linha, social e culturalmente, que define que só existe Amor, matrimónio, cumplicidade, paixão, sexo, amizade entre os casais heterossexuais. Isso é que está certo! Só para esclarecer, a palavra “Dinheiro” é universal, a palavra “Amor” não é. Vão lá com calma, sim? Não queiram tudo a que têm direito. Exijam só o que legalmente é, ou não legítimo.

Porque o que interessa para o desenvolvimento não é a eliminação da discriminação, a hegemonia da igualdade, a compaixão e o respeito uns pelos outros. Esse desenvolvimento é secundário e vem muito depois. O que devemos pensar é no desenvolvimento económico e político. Ou seja, os pobrezinhos dos homossexuais lá se poderão unir porque, em termos financeiros, é benéfico e, comparativamente com outros países não se pode ficar um passo atrás. A um nível social e cultural não lhes devemos nenhum tipo de reconhecimento. Cuidado porque já estamos a ser generosos o suficiente ao deixá-los unirem-se civilmente! Mas não ponham um casal homossexual a par de um casal heterossexual. Uma coisa é negócio e outra coisa é amor, aos olhos de Deus, claro está. Oh Merkel e se te fosses foder?

Texto: Ana Margarida Meira

TRARP3487744