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Passar pelo número 54 da Rua do Rosário sem entrar para dar uma olhadela é como ir a Roma e não ver Cristo por se ter estado a olhar para o Papa.
Galeria, agência, loja de discos e espaço de cowork, a Circus é o prolongamento de uma festa que dura há 4 anos e que tão cedo não promete terminar.
À porta, o LCD em contínuo Showreel e a montra sempre renovada por um artista de eleição não são capazes de fazer jus ao rodopio criativo que dentro da Circus se passa.

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Ana Muska e André Carvalho

Criada por Ana – “Muska” (para os amigos, e para todos os outros também ) a iniciativa teve início em 2012 como projeto final do curso de Design da Faculdade de Belas Artes do Porto. A ideia era, assim, juntar várias paixões num evento único debaixo de um só teto no Espaço Maus Hábitos, no Porto. Música, performances, arte urbana e ilustração celebram-se em simultâneo com diversão e positividade dignas de um circo .
O sucesso da iniciativa e o interesse cada vez maior nestas artes fez com que o casal Muska e André Carvalho, continuassem a promover e organizar iniciativas do género.

Hoje, são eles os anfitriões deste novo espaço na Rua do Rosário que vem materializar 4 anos daquele que pode bem ser o melhor trabalho do mundo.

O imaginário Circus, cada vez mais real, extende-se para lá destas 4 paredes inauguradas em 2015. A ligação à street art cimentou-se ao longo do tempo com a participação de ilustradores cujo meio de intervenção predileto é a própria cidade. Artistas como FEDOR, OKER, MESK, ANDY CALABOZZO integram o projeto desde o início e ainda continuam a fazer parte do cerne desta família alargada.
Em 2013, com a organização de um grande Mural em Guimarães, Muska e André estreiam oficialmente uma relação longa e contínua com a arte de rua, que deu o mote, para o lançamento em 2014 do festival PUSH Porto, primeiro festival de Street Art do Porto.
“O festival Push abriu o olhar de muita gente para a street art e para a possibilidade de os artistas terem um papel positivo na vida das pessoas.” Salientam.

O nome Circus encontra-se agora indiscutivelmente ligado à Street Art devido à relação simbiótica que, enquanto agência, mantém com todos estes artistas.

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Mural de Miguel Bombarda, pintado por Mots, Mesk e Fedor, inserido no projecto RU+A

André Carvalho esteve, desde cedo, ligado à música e Ana ao design; deste modo a dupla acabou por encontrar um ponto de união na valorização e reconhecimento das formas de arte mais subestimadas pela cultura geral.
Por outro lado, a Circus dá espaço aos freelancers para desenvolverem o seu trabalho numa rede familiar que não discrimina campos artísticos. Valorizam a qualidade, tanto do trabalho como da pessoa.
“A relação pessoal é muito importante porque tem de haver confiança mútua. ”

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Exposição Circo Chei, da dupla Chei Krew

Para André, o trabalho de agência vai muito para além do arranjar clientes, é uma tarefa de procura constante por novos talentos.
“Tal como um Dj se sente entusiasmado ao encontrar novas músicas, também aqui quando se deixa de procurar novos artistas é porque se perdeu o interesse. ”

“Idealmente, gostávamos que a Circus tivesse um papel ativo na vida dos artistas que representa, um papel capaz de lhes dar trabalho suficiente para que eles se possam desenvolver sem medo de não puder pagar a renda“

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Espaço de co-work
Apesar de todos os esforços, a ilustração ainda é uma outsider em Portugal. Tida como arte menor. É esta imagem que a Circus pretende contrariar.
“Ainda se pensa que o ilustrador é um desenhador que vai fazendo coisas. Tal como o design nos anos 60, a ilustração servia um propósito. Mas hoje já não é assim, a ilustração deve ser vista como arte.”
Vários artistas nacionais podem ser encontrados na loja / galeria, mas são os turistas estrangeiros que melhor demonstram a apreciação por estas artes. Para André Carvalho a falta de contacto com este mundo faz com que a maioria das pessoas não compreenda ou não valorize todo o processo de desenvolvimento de um artista.

“O nosso publico alvo é mais novo que o das galerias de pintura; ainda não tem muito dinheiro para gastar em arte. Mas, no futuro, quando tiverem mais poder de compra, vão gostar de investir nestas coisas que sempre os acompanharam. Para já, quem está mais perto desta realidade sem ser essa faixa etária são os pais dos ilustradores que convivem diariamente com o problema dos filhos . “

A Circus é a única galeria do Porto que assumidamente representa a arte urbana e que de uma forma tão profissional como informal tem a boa disposição e a criatividade como bases do negócio. Dia 16 celebra 4 anos com a apresentação da nova marca e o lançamento de uma publicação independente. Sábado é dia de portas abertas para todos os que quiserem partilhar deste espírito num dia cheio de música, amigos e arte.

Vê o que andaram a fazer nestes últimos 4 anos em vídeo aqui! E está atento a tudo sobre o evento de aniversário aqui.